As fronteiras do ciúme

Publicado por: Editor
06/05/2022 07:15 AM
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Cortesia Editorial Pixabay/iStock
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Por Silvana Martani

 

O ciúme é uma arma poderosa que defende o amor da indiferença, da mesmice, da convivência morna; temperando de paixão os relacionamentos de uma maneira geral.

 

Quem nunca sofreu por um grande amor? Quem não sentiu ciúmes da família e dos amigos do ser amando?  Do cachorro que o namorado leva para passear, do passado que este indivíduo viveu, das “exs” e de tudo mais que fez parte da estória do outro antes de você chegar... 

 

No amor, a posse se encaixa bem no tamanho da insegurança de cada um e este sentimento transforma até o ser humano mais altruísta do mundo em um ser ciumento.

 

Cantado em verso e prosa, o ciúme sempre foi uma fonte de sofrimento e, dependendo da intensidade da paixão, ou de sua insanidade, dói ou mata.

 

Existe uma linha muito tênue entre a saúde e a doença quando se fala de ciúme, denunciando os amantes que podem construir relacionamentos saudáveis e os que transformam o relacionamento no espelho de suas doenças emocionais.

 

O Ciúme Patológico ou obsessivo transforma homens e mulheres em reféns de parceiros e este seqüestro “autorizado” pode levar anos para que a vítima se liberte, não sem as seqüelas próprias dos atos vis e humilhações que este “cativeiro” é capaz de provocar. Neste tipo de ciúme, qualquer duvida, qualquer atraso, olhar vago ou atitude que o obsessivo julgue inadequada para o momento ou ocasião pode se transformar em denuncia de fatos, certezas de flagrantes prontos para mostrar uma traição.

 

Neste tipo de ciúme, a fantasia e a realidade se confundem, assumindo proporções absurdas e bizarras, muitas vezes, criando rituais malucos e inadequados. Existem várias doenças psiquiátricas que têm no ciúme obsessivo um dos seus principais sintomas como, por exemplo, o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e os Transtornos de Personalidade.

 

Enquanto o ciúme normal é um sentimento passageiro, que dá lugar à tranqüilidade e satisfação à medida que o amante se sente mais seguro com relação aos sentimentos do outro, no Ciúme Mórbido ou Patológico vários sentimentos perturbadores se revezam tecendo uma rede dor e sofrimento.

 

Ansiedade, depressão, raiva, vergonha, humilhação, culpa, aumento do desejo sexual e de vingança são alguns dos sentimentos que norteiam as atitudes destas pessoas.

 

Como neste tipo de ciúme as conseqüências são camufladas ou omitidas pelas vítimas - um bom exemplo são as agressões físicas - é muito difícil traçar uma estatística correta que nos mostre quantas pessoas são vitimadas ou quantos homicídios ocorrem tendo o ciúme como pano de fundo.

 

Amar é um verbo com muitas conjugações e querer transformar o ser amado em boneco ou marionete, cujo único prazer é prestar serviço ao amor louco e doentio, é a pior de todas as suas formas.

 

Quem sente ciúme desta forma normalmente está deprimido, inseguro, tem baixa auto-estima, não se sente capaz de merecer um grande amor e precisa de ajuda médica e psicoterápica. Não é possível se livrar deste tipo de comprometimento sozinho ou simplesmente com a ajuda do parceiro, pois não é o relacionamento que o deixa doente, mas a sua estrutura emocional que se encontra comprometida e o relacionamento somente ilustra e denuncia isso.

 

Muitas pessoas sofrem desta maneira e acham que os excessos fazem parte do amor verdadeiro. Com certeza, alguns excessos são permitidos quando se fala de amor, mas, na maioria dos casos, esses excessos mostram muito mais um descontrole ou doença do que um grande amor.

 

Silvana Martani é psicóloga e especialista em obesidade na Clínica Beneficência Portuguesa.

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