O ovo, o pinto, a galinha coluna Carlos Brickmann

Publicado por: Feed News
12/10/2022 00:00:01
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Cortesia Editorial Pixabay
Cortesia Editorial Pixabay

Por Carlos Brickmann

A malandragem ocorreu no século passado e tinha um objetivo limitado: garantir a reeleição de Fernando Henrique. Mas esqueceram de combinar com os russos que o objetivo seria só esse. A reeleição acabou virando algo normal e causando consequências imprevistas: ao tomar posse, o presidente já se preocupa apenas em reeleger-se. E todo seu mandato é voltado para conquistar outro mandato. Governar direito para que?

 

Nos Estados Unidos, com instituições bem mais sólidas, a tentativa de reeleição de Donald Trump gerou uma crise que põe em risco a estabilidade democrática. No Brasil, a tentativa de reeleição de Bolsonaro já provocou despesas de alguns bilhões de reais, que um dia terão de ser pagos – e já se sabe de onde vai sair a dinheirama. O caro leitor pode preparar os bolsos.

 

É essencial eliminar essa coisa absurda. Mas como eliminar essa coisa absurda? É dificílimo: atende a toda a politicagem e prejudica apenas a população. Mas o eleitor é apenas um detalhe.

 

Faça uma conta de cabeça: um auxílio de R$ 600,00, válido apenas até as eleições. Liberação de empréstimo consignado que onera as aposentadorias por muitos e muitos anos. Intervenção na política de preços e de distribuição de gigantescos dividendos da Petrobras que pode gerar processos milionários na Bolsa de Nova York. Mas qual o problema?

 

Quem ganha não paga, quem paga não ganha.

 

Sem fantasia

A bancada bolsonarista obteve ampla maioria tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. E se Lula for eleito, como fará para conseguir governar, tendo contra si as duas casas do Congresso?

 

A vida como ela é

Não se preocupe: Lula não terá contra si as duas casas do Congresso. Não é assim que as coisas funcionam. Em menos de uma semana já estará tudo acertado. O Centrão inteiro já apoiou Fernando Henrique, Lula, Dilma e Bolsonaro. Ninguém se sentirá constrangido de mudar de lado mais uma vez. E, se alguém quiser se explicar, há belas palavras: governabilidade, interesse público, coalizão, estabilidade institucional. Largar o osso, jamais.

 

Lealdade

Enquanto os dois candidatos anunciam adesões, o presidente Bolsonaro perde o apoio de um fiel aliado, o senador Romário, do Rio. Motivo: Bolsonaro fez campanha por Daniel Silveira, de outro partido – aquele que quebrou a placa em homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco e desafiou o Supremo Tribunal Federal, e que é inelegível.

 

Romário não fará campanha para Lula, mas não tem a menor intenção de se mexer por Bolsonaro. O governador do Rio tentou modificar a posição de Romário, mas não teve êxito.

 

Por pouco

Bolsonaro correu o risco de perder o apoio da senadora eleita Tereza Cristina, sua ex-ministra, por motivo semelhante. Ela apoiava um candidato a governador, com respaldo de Bolsonaro. De repente, Bolsonaro mudou de lado. Tereza Cristina interferiu, Bolsonaro voltou atrás. Não houve sequelas: a campanha continua normalmente.

 

Voto misto

Dois políticos paulistas, adversários a vida inteira, fizeram a mesma declaração de voto: Delfim Netto e José Serra estão com Lula presidente e Tarciso governador de São Paulo. Nenhum dos dois é fã de Tarciso, mas ambos fazem restrições a Haddad.

 

Puxando para o centro 1

Lula continua sem apresentar seu plano de governo, mas tudo indica que escolherá um ministro ortodoxo na área econômica – alguém como Henrique Meirelles, que aliás foi seu presidente do Banco Central por oito anos. O nome pode não ser Meirelles, mas alguém de sua mesma linha.

 

Puxando para o centro 2

Um palpite: se Lula for eleito, o vice Alckmin terá papel ativo, e não só o de ficar na expectativa. Poderia ocupar um ministério ou se encarregar de missões específicas.

 

Sigilo

O Ministério da Defesa conferiu o sistema eletrônico e concluiu que não houve qualquer irregularidade no primeiro  turno. O presidente Bolsonaro, que defende tese contrária, proibiu a divulgação do relatório. Mas o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio de Oliveira, já tinha divulgado informações sobre o assunto. Mas a questão não está encerrada: o TCU já solicitou ao Ministério da Defesa uma cópia do relatório oficial. De qualquer forma, é difícil que haja informações completas antes do segundo turno.

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