Frigidez feminina

Publicado por: Editor
06/05/2022 07:39 AM
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Cortesia Editorial Pixabay/iStock
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Por Silvana Martani

Falar de frigidez feminina é falar da falta de amor, carinho, desejo e excitação. Considerado um dos problemas sexuais que mais aflige as mulheres, muitas carregam este estigma sem entender o que é e como se instala uma disfunção desta ordem.

 

Classificada como um transtorno do desejo hipoativo, a frigidez é considerada uma disfunção ou alteração da função sexual que se apresenta como um bloqueio parcial ou total da resposta psicológica e fisiológica da excitação.

 

As principais características deste transtorno são o déficit ou falta de fantasias sexuais e a ausência do desejo de ter qualquer atividade sexual, o que leva a grandes dificuldades de relacionamento e muito sofrimento.

 

Este transtorno pode acometer a mulher durante toda sua vida afetiva, por um determinado período em função de uma circunstância limitante ou no relacionamento com um parceiro especificamente.

 

Existem fatores físicos e psicológicos que determinam o aparecimento desse quadro. Os fatores físicos mais comuns são: dor na relação sexual, alterações hormonais, debilidade física por doença ou uso inadequado de remédios, dentre outros. Mas são os fatores psicológicos os grandes causadores da frigidez feminina que vão do desconhecimento do próprio corpo, muito comum em mulheres que recebem uma educação castradora, medo de engravidar, religião, crendices, experiência obstétrica traumática, envelhecimento, até a violência sexual que inclui o abuso e o estupro.

 

Alem destes fatores, existem mulheres que se cobram muito em todos os aspectos, que estão sempre aquém do que gostariam e acabam se preocupando muito mais com o desempenho do que com a sua satisfação ou não gostam de seus corpos, sentem vergonha de seus órgãos genitais, se acham fora de forma - o que as deixam pouco ou nada a vontade na hora de se expor – e, com isso, passam a negar toda a sua sexualidade e todo tipo de atividade ligada a este aspecto das suas vidas.

 

O estresse e a depressão também podem levar a mulher à não sentir desejo sexual, pois geram desmotivação, apatia e tristeza que inviabilizam a formação de fantasias sexuais tão importantes para a excitação.

 

As ligações afetivas comprometidas também podem desencadear o transtorno do desejo hipoativo. Casamentos e relacionamentos desgastados, onde o empenho sexual de ambos é pequeno, onde não existe mais amor e nem dedicação emocional, levam as mulheres a se desinteressarem sexualmente e terem relações sexuais para cumprir “o protocolo” ou somente para satisfazer o outro sem estar, de fato, desejando o parceiro. Com o tempo, essas mulheres perdem totalmente o desejo sexual de estar com o parceiro e podem se considerar frígidas, mas este fato só se dá por conta do relacionamento que, por ser insuficiente, acaba esvaziando os desejos como um todo.

 

Ainda podemos citar as mulheres inexperientes sexualmente que, por estarem afetivamente ligadas aos parceiros, aceitam ficar sem satisfação sexual por constrangimento ou medo de perdê-los e com o tempo perdem todo interesse sexual, passando a valorizar outros aspectos mais favoráveis deste relacionamento.

 

Homens com ejaculação precoce, que não aceitam se tratar ou que são grosseiros e displicentes ao tocar o corpo feminino acabam contribuindo e muito para que as mulheres se desinteressem por sexo e, normalmente, atribuem o fracasso da relação à falta de vontade das parceiras.

 

Mulheres que não conhecem seus corpos, que não se masturbam ou que tiveram uma iniciação sexual frustrante, preferem escolher parceiros pouco ativos ou que não se preocupam com elas na hora de sentir prazer, por sentirem que estão comprometidas emocionalmente neste aspecto. Muitos homens têm o habito de perguntar ao final da relação sexual, se a mulher esta satisfeita muito mais como uma prerrogativa do que uma preocupação de fato.

 

Mas é a baixa auto-estima que faz com que a mulher aceite se relacionar tão precariamente com sua sexualidade e passar muitos ou todos os momentos de sua vida sem desfrutar deste que é um prazer digno e merecido de todas as pessoas, independente da raça, credo, cor ou opinião política.

 

A revolução feminina trouxe muitos benefícios à mulher e sua sexualidade, mas ainda hoje existem aquelas que sofrem sozinhas ou fingem um prazer que nunca tiveram para manter relacionamentos vazios por não acreditarem que podem e devem ter uma sexualidade prazerosa e feliz.

 

Silvana Martani é psicóloga e especialista em obesidade da Clínica da Beneficência Portuguesa.

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